Uma semana em Praga e na Hungria

Voltei ontem de viagem. Tudo correu tranquilamente, tirando um pequeno atraso no trem na volta de Budapeste para Praga. O verão na Europa é sempre lindo, as cidades ficam deslumbrante sob luz do sol, sempre bem cuidadas, com muito verde e flores de todas as cores. Não é à toa que os turistas invadem os centros históricos. Dá um ar meio de Disneylândia, máquinas fotográficas e guias turísticos para todos os lados. E dá também para notar como o mundo está mudando... Muitos, mas muitos turistas chineses. E um número razoável de brasileiros também. Mais pessoas dos países emergentes agora têm dinheiro para esse tipo de passeio.

Os dias em Praga com a mãe do Matias foram repletos de andanças pelo centro histórico de Praga. A cidade não foi destruída pelos comunistas, e como o país está indo muito bem recentemente, dá para ver o resultado dos investimentos na recuperação dos monumentos da cidade. As ruas e parques são super bem cuidados. O que ainda não está restaurado, está em processo de restauração. A cidade é segura, apesar de sempre ser possível ver alguns imigrantes tentando vender drogas para turistas.

A moeda do país ainda não é o euro, é a coroa tcheca. O resultado é que comer e beber em Praga sai muito barato para alguém que vive na Finlândia. Aliás, em um bar pé-sujo em Praga, pagamos coisa de R$2,40 em 500ml de cerveja - mais barato do que muito bar no Brasil. A comida também é barata, até mesmo usando o Real como base para comparação.

Minha impressão de Praga é que é uma espécie de mistura entre Paris e Amsterdam, ao menos no centro (não vi nada das regiões mais afastadas do centro da cidade). Os prédios são bonitinhos, sempre da mesma altura, não muito largos e de diferentes cores, como em Amsterdam, mas a arquitetura é cheia de detalhes nos parapeitos e esquadrias das janelas. Igrejas góticas e o castelo no alto da cidade dão um toque especial, mais para Paris do que para Amsterdam. Outra coisa que está mais para francês do que para holandês é o humor de seus habitantes: somente um garçon nos tratou com sorrisos; nos centros de informações a turistas, estação de trem, bares, em geral, os habitantes não parecem muito felizes com a massa de turistas que invadem a cidade todo ano. Não podemos culpá-los muito, mas com certeza mais simpatia por parte dos Tchecos me faria gostar ainda mais do passeio.

Além da companhia da mãe do Matias, que nos carregou para cima e para baixo, mostrando os lugares interessantes e levando para locais menos turísticos (ela está morando lá desde setembro, dando aulas de finlandês na universidade), um amigo da época do intercâmbio do Matias foi nos encontrar. Ele é húngaro e mora em uma cidade a duas horas de Budapeste. Ele foi de trem nos encontrar no domingo, e na terça seguinte fomos com ele para a Hungria.

Ah, a Hungria! Me apaixonei pelo país! Na época do coral tive duas amigas de lá, e há alguns anos li o livro do Chico Buarque (Budapeste, tenho em casa, é bom, leiam! Parece que o filme saiu mês passado). Principalmente por conta do livro, tinha curiosidade de conhecer a cidade. Além de alguns fatos genéricos sobre o país e sobre a língua (que é prima distante do finlandês), sabia muito pouco. As minhas amigas eram loiríssimas, e a Budapeste do livro do Chico parecia um lugar completamente alienígena. Nada me preparava para encontrar na Hungria o país que me fez sentir mais em casa de todos os lugares por onde andei na Europa. Mais ou menos como foi em Amsterdam na primeira vez que estive lá, senti uma vontade enorme de voltar para a Hungria, conhecer melhor as pessoas e a cultura. Como no Brasil, na Hungria as pessoas dão os dois beijinhos quando se encontram ou se despedem, falam mais alto (mas não tanto quanto os italianos), gostam de comer bem, temperam bem sua comida, e produzem bons vinhos. Não são todos loiros como eu pensava. Ao contrário, a todo momento esperava ouvir português na rua, pois todos pareciam brasileiros do sudeste, pele não tão clara e cabelos escuros. E são hospitaleiros! A mãe do amigo do Matias cozinhou cogumelos para nós, e, tal como a vó Edith, nos entupiu de comida e sobremesas. O amigo do Matias serivu de intérprete, pois por lá, não se fala inglês direito... é húngaro e alemão, e só.

E Budapeste... Meio caótica, meio barulhenta, cheia de construções, com pessoas e carros, alguma sujeira, prédios com arquitetura desencontrada, que foram reconstruídos após a destruição causada pela guerra, mas também com monumentos ainda de pé, castelo, igrejas e praças. Budapeste me lembrou o Brasil! Talvez Belo Horizonte, a única cidade "normal" que conheci no Brasil, mas com sistema de transporte que funciona e sem a violência típica das cidades brasileiras. Essa semelhança fez eu me sentir em casa. Certamente quero voltar lá!

Além de Budapeste, fomos também para a cidade do amigo do Matias, Veszprém, que fica pertinho do Lago Balaton, o maior lago da Europa Central (o segundo maior é o Lago Lemán, que fica na Suíça, meu velho conhecido dos tempos que morei em Genebra). A cidade é uma graça, com jeitinho de Pirenópolis, mas muito maior, claro. Me encantei pela quantidade de cerejeiras. Os galhos cheios de cerejas caem por cima das cercas, e as frutinhas são fresquinhas, deliciosas. Poderia me mudar para lá só por causa das cerejas! Mas ainda tem os vinhos, a comida, e o azul impressionante do lago. O lugar é um destino turístico conhecido, principalmente dos alemães. Acho que qualquer brasileiro também se encantaria pelo lugar em um piscar de olhos.

(Preciso abrir estes parênteses para explicar: aqui na Europa, descobri que os lagos são como praias. Faltam ondas e às vezes areia, que é substituída por grama e/ou pedras, mas quase todo o resto está lá: biquínis, chinelos, protetor solar, brisa fresca, e de vez em quando até o cheirinho das algas que chamamos de cheiro de mar. Ao contrário do que imaginei, a temperatura das águas no verão sobe bastante, mesmo que o lago congele no inverno de vez em quando! Na Finlândia também fica mais quente, eu até já nadei em um dos lagos daqui de Tampere.)

Foi maravilhoso aproveitar um pouco do verão no Leste Europeu, mas também é bom estar de volta à Finlândia, que agora é Finlândia mesmo, não mais Friolândia. Estamos nos aproximando do solstício de verão. Não escurece completamente, mesmo aqui em Tampere. À uma da manhã, ainda estamos no lusco-fusco, e em seguida o céu já começa a clarear... E às 3:43 o sol nasce. Mas lusco-fusco não basta! Semana que vem, na festa do solstício, chamado aqui de Juhannus, vamos pegar o trem para Rovaniemi, no círculo polar ártico, pois quero ver o sol da meia noite :)


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