Me assusta a quantidade de pessoas que me mandam a mesma pergunta, com pequenas variações: "como faço para sair do Brasil?". Não me importo em ajudar quem tem alguma dúvida específica (clima, custo de vida, dificuldade de adaptação) ou quer simplesmente ouvir minha opinião sobre como é a vida aqui fora. Mas vejo com muita tristeza que todo mundo quer uma solução fácil, barata, única e imediata. "Oi, tudo bem? Meu nome é fulano. Quero sair do Brasil. Me ajuda?"
Eu não vou mentir: só consegui vir para cá porque tenho uma família que me apoiou, porque eu tinha o dinheiro que é preciso para vir, e porque tinha um currículo profissional bom e notas boas na faculdade. Facilita, e muito, dar de cara com uma oportunidade maravilhosa, como foi a oportunidade de estágio na OIT em Genebra. Mas ela só apareceu para mim porque eu estava preparada para isso. E mestrado no exterior? Não é impossível, mas independente do lugar, é preciso ter boas referências acadêmicas e bom nível da língua (no meu caso, o inglês).
Não sei se já escrevi algo sobre isso aqui antes, mas se não, fica um guia prático e simples, para viabilizar sua saída do Brasil. Note que ser simples não é sinônimo de fácil, muito menos de rápido. Mas pode servir de guia para orientar o planejamento (que, não se iluda, é de médio ou longo prazo) da mudança para o exterior.
Para sair do país para trabalhar fora:
0) Faça seu passaporte!
1) Comece a aprender (ou aperfeiçoe) seus conhecimentos em inglês e na língua do país para onde vai se mudar.
2) Avalie suas qualidades como profissional. Você é bom em quê? O que poderia melhorar?
3) Avalie o mercado profissional no país (e cidade) de destino. O lugar é adequado para você? Como são as oportunidades de emprego? Qual é o salário médio? Mapeie as oportunidades e fique sempre de olho em possíveis canais de informações de emprego, para ter uma ideia mais clara do mercado.
4) Que habilidades você poderia adquirir para melhorar suas possibilidades de conseguir um emprego lá? Algum curso que você poderia fazer, aqui ou lá, para adquirir essa habilidade?
5) Verifique possíveis programas de imigração no país de destino que possam facilitar o processo (Canadá e Austrália têm programas desse tipo). Esses programas de imigração procuram por profissionais qualificados em determinadas áreas. Pode ser que sua área seja uma delas.
6) Avalie quanto dinheiro você precisa para as passagens aéreas, para as despesas de mudança e para se sustentar (e sua família, se for o caso) por uns 6 meses sem trabalhar. Faça um plano para juntar esse dinheiro, quanto você precisa guardar por mês, por quanto tempo, e com qual rendimento. Lembre-se de considerar a inflação e possíveis variações cambiais nos seus cálculos.
7) Elabore seu currículo e possivelmente um site pessoal como portfolio para divulgar seu trabalho.
Para sair do país para estudar:
0) Faça seu passaporte!
1) Comece a aprender (ou aperfeiçoe) seus conhecimentos em inglês e na língua do país para onde vai se mudar.
2) Se você está cursando alguma faculdade, procure saber sobre cooperações entre instituições. Esses programas facilitam e muito a vida de estudantes querendo fazer intercâmbios. Não desanime se não houver nenhuma cooperação. Entre em contato com a universidade de destino sobre a possibilidade de criação de um convênio. Em geral, os programas não oferecem passagem aérea ou hospedagem, apenas a matrícula no curso.
3) Se quer estudar a língua, procure empresas como Central de Intercâmbio e STB. É sem dúvida a maneira mais fácil. Os cursos custam caro, mas a experiência e o aprendizado da língua valem o investimento (por volta de 5 mil reais para um mês para os EUA, por exemplo.)
4) Se ainda está no ensino médio, procure os programas de intercâmbio da AFS, Rotary ou YFU, ou soluções comerciais como CI, EF, STB (por volta de 23 mil reais por um ano para os EUA, por exemplo).
5) Se quer fazer mestrado, comece a pesquisar instituições, cursos e bolsas com até um ano de antecedência. Faça o teste de língua apropriado. Contacte seus professores antigos para pedir cartas de recomendação. (Mais dicas aqui.)
6) Para doutorado, além de bolsas oferecidas pelas instituições e por organismos internacionais, existe a possibilidade de pedir bolsas para a CAPES e CNPq no Brasil mesmo.
7) Caso não disponha de bolsa, avalie quanto dinheiro você precisa para as passagens aéreas, para as despesas de mudança e para se sustentar (e sua família, se for o caso). Faça um plano para juntar esse dinheiro, quanto você precisa guardar por mês, por quanto tempo, e com qual rendimento. Lembre-se de considerar a inflação e possíveis variações cambiais nos seus cálculos.
Dá para ver pela lista acima que é um baita trabalhão planejar essa mudança. Demanda tempo e energia... E é só o começo. Porque depois de se mudar, ainda tem todo e estresse que é se adaptar à vida em um lugar completamente diferente. Concordo com alguém que li uma vez (não me lembro quem), que se todo o esforço que é preciso para mudar de país e ser bem sucedido fora fosse dedicado a ser bem sucedido no Brasil, a pessoa iria bem mais longe no Brasil mesmo. Por isso, em minha opinião, o melhor a fazer é: só decida sair do país se esse for um sonho em si só, e não uma busca por uma vida mais bem sucedida ou com mais dinheiro.
No mais, coloco abaixo uma lista de links que podem ser úteis na pesquisa por oportunidades de emprego, bolsas, e sites que se dedicam a ajudar quem resolveu morar fora. A lista não está completa; é apenas um pontapé inicial para quem tiver interesse.
Depoimentos e sites de informação:
http://expatriados.wordpress.com
http://www.sairdobrasil.com
Estudo:
http://finland.cimo.fi/
http://www.studyinsweden.se
http://www.studyinnorway.no
http://ec.europa.eu/education/programmes/mundus/index_en.html
Intercâmbio:
http://www.ci.com.br/
http://www.afs.org.br/
Trabalho:
http://unjobs.org/
(Sei que existe uma espécie de mercado negro da imigração, atalhos que as pessoas encontram para não colocar muito esforço no sonho de sair do país. Casar com um estrangeiro para ganhar o visto, imigrar ilegalmente, arrumar um curso de língua e desaparecer... Eu não sei como funciona, e mal entendo como alguém decide se sujeitar a essas situações. Adaptar-se à vida fora do Brasil já é uma tarefa difícil por si só, mal posso imaginar como seria ainda ter que se esconder ou viver com alguém que mal conhece.)
Mirella (not verified) | 30 May, 2009 - 15:46
Ola Maira
Obrigada pelo link do Entrevistando Expatriados!!!
Outra coisa... será que você gostaria de ser nossa entrevistada?
:)
Abs
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»gimoll | 1 August, 2009 - 02:14
e ae maira!
é, parece q a coisa por aqui ta feia mesmo...
minha vontade de sair estava adormecida, ams ta voltando com força agora...aiaiai
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