Recebi alguns comentários pedindo mais informações sobre o mestrado que estou fazendo aqui na Finlândia. Acho que é mais fácil fazer um post e deixar aqui para todo mundo ver =)
Em primeiro lugar, por que a Finlândia? Como que eu vim parar aqui? A história é um pouco longa...
Sempre quis fazer mestrado, na área de computação, ou interação homem-máquina. Também por ter como modelo meus pais, ambos professores universitários, a vida acadêmica sempre me encantou. Depois que fui visitar meu pai em Edimburgo, no final de 97, quando ele estava fazendo seu doutorado por lá, tive a certeza de que esse seria meu caminho também.
Logo que terminei a universidade (sou formada em Comunicação pela Universidade de Brasília), comecei a procurar por bolsas de mestrado no exterior. Comecei a pesquisa pelo óbvio: Reino Unido. Não me atraía muito a possibilidade de ir para os Estados Unidos, além de achar que lá seria muito mais caro. Devo dizer que isso era só achismo, porque hoje, depois de ter vivido por quase dois anos na Europa, vi que educação aqui pode ser caríssimo também.
O problema com o Reino Unido é que lá os cursos de mestrado são muito, MUITO caros. Sem bolsa seria impossível para mim. Então comecei a procurar pelas bolsas disponíveis. As principais são a Chevening, a Shell, o programa Alban e o Erasmus Mundus, que cobrem não só o curso como também a estadia e às vezes até a passagem. A maioria deles requer que você já tenha o aceite na universidade desejada. Em outras, você pede a bolsa junto com a aplicação para a universidade, mas em geral essas bolsas são simplesmente redução no preço do curso. Em todo o caso, os prazos são sempre muito antes do início das aulas, até um ano antes. O processo todo exige paciência e planejamento.
Mas voltando à minha história. Paciência e planejamento não eram meu forte, eu queria sair do Brasil pra ontem... Fiz um curso preparatório para o teste de inglês IELTS, que a bolsa Chevening pede. Fiz o teste em abril de 2005, e consegui uma nota muito boa. Com o resultado (válido por dois anos) em mãos, a idéia era aplicar no final daquele ano e começar a estudar em 2006. Apliquei para a University Collegue London, e fui aceita no programa deles. Agora era conseguir a bolsa... Mas para o programa Alban era mais difícil, precisava já ter o tema da pesquisa especificado e escrito em um projeto para ser analisado. Muito difícil, então resolvi não tentar o Alban, e ficar só com o Chevening e o Shell, que não exigiam projeto. Não é difícil imaginar o resultado, né? Não fui aceita para o Chevening, pois não tinha experiência profissional suficiente (eles exigem 2 anos de trabalho tempo integral). Para o Shell, recebi a carta de não aceitação sem mais explicações.
Mas eu tinha a aceitação da universidade, Por um breve período, eu e minha família ainda consideramos que eu fosse para a Inglaterra estudar meio período e trabalhar de garçonete para pagar os estudos. Sim, de garçonete. Porque tem um negócio na Inglaterra que, se você tem visto de estudante, você não pode exercer trabalho especializado, por mais que já seja graduado em alguma coisa. Só dá pra ser garçonete, assistente de limpeza, ou coisas do tipo. (Posso estar enganada, alguém me corrige aí se for o caso).
Rapidinho essa alucinação coletiva sobre a possibilidade de ir para o Reino Unido gastando algo em torno de 90 mil reais passou. Voltei à realidade, e comecei a procurar mestrados no Brasil mesmo. O problema aí foi que eu, sendo graduada em Comunicação, tinha um árduo caminho pela frente caso insistisse em fazer meu mestrado em Interação Homem-Computador. O campo de IHC, em todos os lugares que eu vi, fica nos departamentos de Ciência da Computação. E para fazer um mestrado em Computação, é preciso fazer uma provinha chamada Poscomp, que mede seus conhecimentos na área. O negócio é que essa prova é feita para pessoas que passaram de 4 a 6 anos estudando como computadores funcionam. Eu sei bastante, mas suspeitava de que não o suficiente. De fato, fiz a prova, e tirei uma nota na média. Não boa o bastante para o mestrado da Unicamp. (E sim, eu conversei com professores da Unicamp e da USP, explicando meu currículo e interesses, e os dois lugares falaram que eu não ia escapar do Poscomp). E, se você pensar bem, se os mestrados exigem conhecimentos tão específicos que seja preciso fazer uma prova de admissão sobre assuntos que eu não estudei, quais seriam as chances de me adaptar ao mestrado de qualquer maneira?
Eu aquietei o facho por um momento. A aceitação da universidade podia ser jogada para o ano seguinte, e eu planejava tentar a bolsa de novo. Enquanto isso, passei no vestibular de novo para Desenho Industrial e segui minha vida. Mas, em algum momento nesse período, uma amiga minha conheceu um finlandês, que foi para o Brasil para dar cursos relacionados a sistemas operacionais de celulares. Foi por meio dele que eu fiquei sabendo que a Finlândia, apesar de ter uma língua estranha, oferece grande parte de seus mestrados em inglês. E também que a Finlândia é o lugar onde o McDonalds tem o maior número de empregados com mestrado do mundo (se isso é bom ou ruim, eu não sei dizer... hehe). E, mais interessante ainda, cursos em inglês são comuns nos países escandinavos e outros lugares como Holanda e Alemanha. Foi uma lufada de ar fresco nos meus planos. Recomecei a procura, mas agora incluindo universidades de outros países também. E tem muito curso! Com um leque de opções muito maior, fui atrás de temas que me interessavam de verdade, e não só procurando onde eu teria chances de fazer um curso em inglês por um preço pagável.
Ainda me lembro do dia em que eu e essa amiga que conheceu o finlandês (que também queria fazer um mestrado) estávamos procurando por cursos interessantes na Finlândia. A tabela dizia: "course fees: no". Como assim, "no"? Entramos no site do curso, e nada de preço. Depois de fuçar um pouco, descobrimos que "no" é "no" mesmo. Por lei, a educação na Finlândia (e na Suécia e Noruega também, mas não na Dinamarca) é de graça para todos, inclusive estrangeiros. Imagine a felicidade. Eu estava de frente ao curso que eu queria fazer, que não custava nadica de nada.
Mas era o começo do ano, e o prazo para aplicar para o mestrado já tinha passado...
Continuei a minha vida, mas com a antena ligada para essa nova possibilidade. No meio tempo, apareceu a oportunidade de ir trabalhar em Genebra, e eu fiz minhas malas e fui. Mas não sem levar na mala meu diploma de inglês e as cartas de recomendação que eu já tinha feito há algum tempo para tentar as bolsas.
Na época certa, pedi aos meus professores novas versões das cartas e preparei toda a documentação com cuidado. Fiz minha aplicação para o curso lá de Genebra mesmo, e ainda por lá recebi a notícia de que tinha sido aceita!
Pedi para minha família no Brasil vender meu carro, e com o dinheiro do carro e o que eu tinha juntado no tempo que trabalhei em Genebra, consegui vir (para conseguir o visto, é preciso provar ter dinheiro na conta para te sustentar por um ano, o equivalente a uns 18 mil reais). Uma vez aqui, é permitido trabalhar por meio período durante as aulas, e por período integral nos três meses de férias. Com o estágio que consegui na universidade para o verão, estou conseguindo pagar as contas sem muitos problemas.
E foi assim que eu vim parar tão longe. =)
Carlos (not verified) | 21 May, 2008 - 11:37
Olá Maira
Partilhamos o gosto pela aprendizagem de línguas que ninguém fala para além dos 'nativos'... Parece que partilhamos também o gosto pela cidade 'entalada' entre o Näsijärvi e o Pyhäjärvi.
Para quem conhece a vida na Friolândia, não são necessárias muitas explicações sobre o porquê de tão longa (e aparentemente estranha) viagem (para mim, a viagem é mais curta, uma vez que sou português). Tenho contactos frequentes com Tampere (na UTA principalmente, onde, julgo eu o MsC em tecnologias interactivas funciona, mas também na TUT e nos parques de C&T Hermia e Finn-Medi).
Apetecia-me agora ir até ao 'The Falls' na Kehräsaari, e sentar-me um bocado a olhar para o Tammerkoski...
Um abraço e felicidades para o MsC
Carlos
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»Ico (not verified) | 21 May, 2008 - 13:38
Ai ai.. inspirador...
me lembra que eu sou um velho com dois anos de graduação pela frente...
sem ainda saber o que fazer..
ó céus...
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»Paulo (not verified) | 23 May, 2008 - 19:03
Maira, qual era a sua media nas notas da faculdade?
vc acha que uma media geral entre 8 ou 8 e meio eu tenho chances de ser aceito em um mestrado ai?
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»maira | 28 July, 2008 - 06:55
Olá! Minhas notas sempre foram altas, mas não sei qual é a média... Acho que 8 ou 8,5 é uma média muito boa! manda ver e aplica! =D
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»gilda (not verified) | 14 July, 2008 - 17:32
Achei muito legal a sua história!
Tb sou formada em comunicação e sonho em morar fora há algum tempo... vou tentar o chevening esse ano, mas nunca se sabe....
Eles tem cursos de mestrado em design onde vc esá estudando?
adorei seu blog!
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»visitante (not verified) | 8 August, 2008 - 00:57
obrigada elos links maíra!
vou dar uma olhada!
tô na expectativa do resultado do IELTS... aiai!!!
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»jeandra santos (not verified) | 10 November, 2008 - 08:50
Olá, achei muito edificante sua estória, e gostaria de saber qual a sua opinião sobre um curso de inglês na Filândia?
Gostaria de saber sua opinião.
Agradecida,
Jeandra Santos
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»Maira Carvalho (not verified) | 10 November, 2008 - 09:26
Olá!
Não recomendo um curso de inglês aqui não... Melhor fazer o curso em um país onde a língua oficial é o inglês, para aproveitar melhor a imersão na língua. Aqui, por mais que todos falem e entendam inglês, nem sempre é correto, e definitivamente não é o sotaque "oficial".
Maíra
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